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terça-feira, 10 de março de 2026

Jovem é Vítima de Feminicídio no Amapá

Entre sonhos e tragédias: duas histórias marcadas pelo mesmo dia no Amapá


jovem universitária foi vitima de feminicídio no trabalho


Enquanto uma jovem iniciava sua jornada universitária, outra teve a vida interrompida de forma brutal. Um contraste que nos faz refletir sobre o presente e o futuro da nossa sociedade.

No dia 9 de março de 2026, duas histórias diferentes marcaram profundamente o estado do Amapá. Em uma delas havia sonhos, esperança e o início de uma nova etapa de vida.

Na outra, uma tragédia interrompeu de forma violenta o futuro de uma jovem. Ambas aconteceram no mesmo dia e revelam um contraste que merece reflexão.


O início de uma jornada universitária



Naquela manhã, em Macapá, foi o primeiro dia de aula da minha filha na Universidade Estadual do Amapá (UEAP).

Catarina Carrera, de 18 anos, iniciava sua caminhada acadêmica no curso de Engenharia de Pesca, área que escolheu para estudar, se formar e construir sua carreira profissional.

Como acontece com muitos estudantes no início da vida universitária, a aula inaugural foi um momento de descobertas: conhecer a instituição, compreender o funcionamento do curso, os horários, as disciplinas e as perspectivas da profissão.

Para muitos jovens, esse momento representa o primeiro passo concreto na construção de um projeto de vida.

Catarina é uma jovem cheia de sonhos. De poucas palavras, mas muito observadora, inteligente e muito conectada com as redes sociais.

Apesar da timidez, sabe se expressar bem e possui facilidade para dialogar com as pessoas ao seu redor. Como qualquer jovem de sua idade, carrega expectativas, planos e desejos para o futuro.


Uma tragédia no mesmo dia



Enquanto em Macapá uma jovem iniciava uma nova fase de sua vida, em Santana outra realidade se desenrolava de forma trágica.

Uma jovem de 19 anos, estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), estava em seu local de trabalho organizando as tarefas do dia em uma loja de roupas.

Em determinado momento, um homem entrou no estabelecimento e a surpreendeu. Dentro de um pequeno depósito da loja, a jovem foi atacada e estrangulada.

A proprietária do estabelecimento percebeu, pelas câmeras de monitoramento, e viu através do celular que algo não estava normal e se dirigiu imediatamente ao local. Ao chegar, acionou a polícia.

Quando os agentes chegaram, infelizmente constataram que a jovem já estava sem vida.

Seu nome era Ana Paula Viana Rodrigues.

Ana Paula morreu na tarde daquele mesmo 9 de março — o mesmo dia em que minha filha estava iniciando sua jornada universitária.


Sonhos que se parecem


Ao conhecer um pouco mais sobre sua história por meio das redes sociais, foi possível perceber quem era Ana Paula: uma jovem alegre, doce e cheia de sonhos.

Assim como Catarina, ela também tinha planos, projetos e um futuro a construir.

Colegas de faculdade e amigos passaram a publicar inúmeras homenagens nas redes sociais, demonstrando carinho, tristeza e indignação diante da perda repentina.

Foi nesse momento que parei para refletir.

Ao tomar conhecimento dessa tragédia, procurei imediatamente me informar e, inevitavelmente, me colocar no lugar dos pais dessa jovem.

Imaginar a dor de receber a notícia de que uma filha, que saiu de casa para trabalhar, teve sua vida interrompida de forma tão cruel é algo que nenhum pai ou mãe deveria enfrentar.


Um problema que cresce no país


Nas redes sociais, os comentários são praticamente unânimes: mensagens de solidariedade à família e manifestações de indignação diante do aumento da violência contra as mulheres.

Diante de situações como essa, surgem perguntas que ecoam na sociedade: de quem é a culpa? Por que tragédias como essa continuam acontecendo?

Diversos políticos se manifestaram por meio de notas de repúdio, afirmando a necessidade de endurecer leis e reforçar a busca por justiça.

No entanto, muitas vezes essas declarações acabam ficando apenas no campo do discurso, enquanto o problema continua longe de ser resolvido.

Nos últimos anos, os índices de violência contra mulheres no Brasil têm alcançado níveis alarmantes. Segundo reportagem da CNN Brasil, em 2025, a cada 24 horas, 12 mulheres foram vítimas de violência no país.

Esse cenário nos obriga a refletir com mais seriedade sobre o tipo de sociedade que estamos construindo e sobre a urgência de medidas eficazes que garantam mais segurança para as mulheres.


Um dia, dois destinos



Quando digo que tentei me colocar no lugar dos pais de Ana Paula, é porque imaginei o impacto devastador de perder uma filha dessa forma. Uma jovem que estava trabalhando, estudando e construindo sua vida, mas que teve seu futuro interrompido por um ato de violência.

Enquanto minha filha iniciava um novo capítulo de sua história naquele dia, outra família vivia o capítulo mais doloroso de suas vidas.

Duas jovens.

Dois caminhos.

Dois destinos completamente diferentes.

Um dia que começou com sonhos, mas que terminou marcado por uma tragédia que não pode — e não deve — ser esquecida.

Finalizo este texto me manifestando com muita tristeza, profundo pesar pelo falecimento de Ana Paula Viana Rodrigues.

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