Composição Política de Macapá: de Intendência até os Prefeitos atuais
Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, liderada pelo marechal Deodoro da Fonseca, o Brasil inaugurou um novo arranjo político-administrativo.
O Governo Provisório da recém-criada República dos Estados Unidos do Brasil autorizou os governadores a dissolverem as antigas Câmaras Municipais e a instituírem Conselhos de Intendência Municipal.
Nesse modelo, os intendentes exerciam funções executivas nas cidades, sendo eleitos para mandatos de três anos — o mais votado assumia a chefia do Executivo municipal.
A figura do intendente permaneceu até 1930, quando, com a Revolução liderada por Getúlio Vargas, foi instituída a estrutura da prefeitura nos moldes atuais.
A Intendência em Macapá (1895–1930)
Em Macapá, o sistema de intendência começou a funcionar em 1895, alinhado ao modelo nacional. O primeiro intendente municipal foi o coronel Coriolano Finéias Jucá (1895–1896).
Durante sua gestão ocorreu a chamada Revolução Macapaense, conflito envolvendo tropas aquarteladas na Fortaleza de São José de Macapá, que resistiram à substituição do policiamento militar por civis.
Coube também a Coriolano Jucá iniciar a construção do prédio da Intendência, atualmente ocupado pelo Museu Joaquim Caetano da Silva.
Na virada do século XIX para o XX, o poder local refletia o contexto oligárquico brasileiro. Manoel Teodoro Mendes (1896–1914) assumiu a Intendência e incentivou a criação do jornal Pinzônia, ampliando o debate público na cidade.
Em seguida, governou Leopoldo Gomes Machado (1914–1920), grande fazendeiro da região do Araguari e coronel da Guarda Nacional.
Intendentes Civil
Posteriormente, Macapá teve como intendente o professor Alexandre Vaz Tavares (1920–1921), considerado o primeiro civil a assumir a administração pública - era intelectual positivista, médico e educador.
Atualmente, encontra-se uma escola de ensino médio na cidade, homenageando o intendente educador.
O pecuarista e comerciante Ernestino Borges assumiu em 1921, destacando-se pela construção de prédios públicos, mas faleceu ainda no exercício do cargo.
Foi sucedido pelo historiador Henrique Jorge Hurley (1922–1926), que também contribuiu para a imprensa local e para a educação feminina no município, juntamente com Padre Júlio Maria Lombaerde
Entre 1926 e 1931, Otávio Acioli Ramos administrou Macapá. Em sua gestão, a cidade experimentou, pela primeira vez, o fornecimento de energia elétrica, ainda de forma limitada, além de receber levantamentos topográficos para a futura rodovia Macapá–Oiapoque.
A Era Vargas e a Nomeação de Prefeitos (1930–1985)
Com a Revolução de 1930, a figura do prefeito substituiu a do intendente. Embora a Constituição de 1934 previsse a eleição dos prefeitos, períodos autoritários mantiveram a prática das nomeações políticas.
Como Macapá estava vinculada administrativamente ao Estado do Pará, os prefeitos passaram a ser indicados pelo interventor estadual. O primeiro prefeito reconhecido foi o tenente Jacinto Botinelle (1930–1932).
Sua administração ficou marcada por forte instabilidade e por um episódio grave: a queima de documentos do arquivo municipal, o que comprometeu parte da memória histórica da cidade.
Entre os nomes que se destacaram nesse período está o major Eliezer Moisés Levy, que governou em diferentes ocasiões (1932–1936; 1937; 1942–1944).
Durante sua gestão foram realizados importantes obras, como a reforma do prédio da antiga Intendência e a construção do Trapiche Eliezer Levy.
Criação do Território Federal do Amapá (Desmembramento do Pará)
Com a criação do Território Federal do Amapá, em 1943, os prefeitos passaram a ser nomeados pelo governador territorial, inicialmente Janary Gentil Nunes.
Entre 1944 e 1985, Macapá teve uma sucessão de prefeitos nomeados, refletindo o modelo centralizador vigente tanto no período territorial quanto durante o regime militar (1964–1985).
Ao todo, desde Coriolano Jucá até Jonas Borges — último prefeito nomeado no contexto do regime militar — Macapá não experimentou eleições diretas para o Executivo municipal.
Foram décadas em que a representação política esteve condicionada às decisões dos governadores e interventores.
Dessa forma, destaco três prefeitos do início do governo territorial em Macapá. O primeiro foi Odilardo Silva, que administrou a cidade de julho de 1944 a julho de 1945.
Em seguida, assumiu Jacy Barata Jucá, que esteve à frente da prefeitura de maio de 1945 até 31 de dezembro de 1945, retornando posteriormente ao cargo entre 1946 e 1947.
Por fim, destaca-se a gestão de José Serra e Silva, que governou o município de fevereiro de 1947 a janeiro de 1950.
Redemocratização e Eleições Diretas (1986 em diante)
Com o processo de redemocratização e a consolidação da Nova República, Macapá finalmente passou a eleger seus prefeitos por sufrágio universal.
O primeiro prefeito eleito diretamente pelo povo foi Raimundo de Azevedo Costa (1986–1988). A partir de então, consolidou-se o ciclo democrático no município, com gestões eleitas sucessivamente:
OBS: Durante a Gestão de João Alberto Capiberibe o Amapá deixou de ser Território Federal e foi elevado à categoria de estado em 5 de outubro de 1988.
- João Alberto Capiberibe (1989–1992)
- Papaleo Paes (1993–1996)
- Annibal Barcellos (1997–2000)
- João Henrique Pimentel (2001–2008)
- Roberto Góes (2009–2012)
- Clécio Luís (2013–2020)
- Antônio Furlan (2021–2026)
Pedro Dalua (união Brasil) assumiu interinamente a gestão do município de Macapá após o afastamento do prefeito eleito da cidade, ocorrido em 4 de março de 2026, por suspeita de fraude em processo licitatório e desvio de recursos públicos.
Diante desse cenário, a tendência é que o prefeito afastado não retorne ao comando da capital amapaense, uma vez que teria renunciado ao mandato a fim de concorrer o pleito para o governo do estado nas eleições deste ano.
Desde a Proclamação da República até os dias atuais, Macapá teve 58 gestores municipais. Desses, 49 foram nomeados e apenas oito eleitos democraticamente — todos após o processo de redemocratização,
Atualmente a Prefeitura foi ocupada pelo presidente da Câmara Municipal de Vereadores, posição que o coloca na linha de sucessão do Poder Executivo municipal.
Dessa forma, diante do afastamento do prefeito, coube a ele assumir interinamente a administração da capital, conforme previsto na legislação.
Considerações Finais
A trajetória política de Macapá revela uma história marcada por longos períodos de centralização e nomeações indiretas, seguidos pela consolidação da democracia local nas últimas décadas.
Personagens como Coriolano Jucá, pioneiro da Intendência; Eliezer Levy sendo o segundo prefeito a ocupar a cadeira na gestão municipal, responsável por obras estruturantes como o trapiche que leva o seu nome.
E Antônio Furlan, com investimentos recentes em urbanização e espaços públicos, representam diferentes fases da administração municipal.
Compreender essa evolução é fundamental para valorizar o processo democrático e reconhecer os desafios históricos enfrentados pelo município.
A história política de Macapá é, acima de tudo, a narrativa de uma cidade que passou da tutela administrativa à escolha soberana de seus governantes.
By Márcio Carrera Costa

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