O relato de quem viveu o abalo
Seu Rodrigues, então com 19 anos, guarda na memória cada detalhe:
Já era madrugada quando eu e minha família estávamos deitados, entregues ao silêncio da noite, quando um barulho estranho começou a subir do fundo da terra. Não vinha do céu, nem da rua — vinha de baixo, como se o chão respirasse.
No primeiro instante, pensei no fim do mundo. O corpo perdeu a referência, e tive a sensação de estar de cabeça para baixo, como se a casa tivesse sido arrancada do lugar.
Na minha rua, o susto ganhou forma: paredes se abriram em rachaduras, um poste de energia ficou torto, e o medo se espalhou mais rápido que qualquer explicação.
As portas se abriram quase ao mesmo tempo, e os vizinhos tomaram a rua, buscando no rosto uns dos outros alguma resposta para o inexplicável.
Só com a chegada da manhã veio a notícia que nos acalmou: havia sido apenas um pequeno tremor de terra. Mas a lembrança não foi pequena.
Eu tinha 19 anos, e naquela madrugada aprendi que até o chão que nos sustenta pode, de repente, nos faltar.
Outro morador, que na época tinha apenas 13 anos, conta que o mais marcante não foi o tremor em si, mas o medo coletivo:
“Acordei assustado com o choro apavorado das pessoas da vizinhança. Todo mundo foi para a rua tentando explicar o que ninguém entendia. Uns diziam que era castigo de Deus, outros achavam que um avião tinha caído, houve até quem falasse em bomba atômica.
O frisson tomou conta da madrugada inteira, até o dia amanhecer com todo mundo ainda na rua.”
Uma cidade que se une nos momentos difíceis
O tremor passou. A manhã chegou. E Belém seguiu em frente.
Esse episódio, embora breve, revelou algo muito característico da cidade: a união do povo diante do inesperado.
Em vez de portas fechadas, ruas cheias. Em vez de silêncio, conversa, apoio e busca por explicações. Foi o medo sendo enfrentado coletivamente.
Belém é feita de histórias
Celebrar Belém no dia 12 de janeiro é também lembrar dessas histórias que não estão nos livros oficiais, mas vivem na memória de quem as presenciou. Histórias que ajudam a explicar por que Belém é mais do que uma cidade — é um sentimento.
Belém é cheiro de chuva no asfalto quente, é sabor de tacacá, é som de carimbó, é acolhimento que abraça. É uma cidade que guarda o passado com respeito e constrói o futuro com esperança.
Que Belém continue sendo essa cidade viva, intensa e humana, onde cada rua guarda uma lembrança e cada aniversário renova o orgulho de ser belenense.
Parabéns, Belém, pelos seus 410 anos de vida, fé e resistência.
Referência
Grupo Nostalgia Belem. Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/belemnostalgia?locale=pt_BR> Acesso em 03 de janeiro de 2026.
Muito bom o seu trabalho!
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