Anviersário de Belém e o tremor de terra que surpreendeu a população
.jpg) |
| Parabéns Belém |
O tremor de terra registrado na cidade de Belém, ocorrido na decada de 1970, que surpreendeu moradores durante a madrugada e tournou-se um dos episódios mas marcantes da história local.
Belém é conhecida por sua hospitalidade calorosa, pela culinária de sabores marcante, pela música que ecoa tradição e modernidade e, sobretudo, pela força de um povo que aprendeu a viver em harmonia com a natureza e com o tempo.
Mas Belém não se resume a datas oficiais ou a monumentos históricos. Ela também é construída por
memórias coletivas compartilhadas
, por histórias contadas de geração em geração - algumas felizes, outras assustadoras — e todas igualmente marcantes, para compreender sua identidade.
Vale ressaltar que a comunidade preserva essas memórias como verdades, que permanecem arraigadas no imaginário popular e são transmitidas oralmente pelos habitantes mais antigos.
Com o passar do tempo, esses relatos acabam sendo assimilados pelas novas gerações, que os incorporam como parte de sua própria compreensão da história e da identidade local.
Dessa forma, poucas pessoas sabem que ocorreu um tremor de terra em Belém na década de 1970.
Eu só tomei conhecimento desse episódio a partir de um comentário feito por minha irmã durante um almoço em família, em um domingo comum, quando uma lembrança aparentemente simples revelou um fato pouco conhecido da história da cidade.
Esse relato torna-se ainda mais marcante por ter ocorrido justamente no dia do aniversário da cidade, no dia 12 de janeiro, data em que Belem do Pará, comemora mais um aniversário, conferindo ao episódio um significado especial e simbólico para a sua história.
A madrugada que ninguém esqueceu
Entre
essas lembranças, há uma que permanece viva na memória de muitos belenenses: a
madrugada de 12 de janeiro de 1970, quando a cidade foi surpreendida por um
tremor de terra.
Um acontecimento raro para a região, que pegou todos de
surpresa enquanto a maioria dormia. O chão, até então, sinônimo de segurança tornou-se incerteza.
Para
entender o impacto daquele momento, imagine-se em um passeio num parque de
diversões: o cheiro de pipoca no ar, pessoas andando e rindo, o frio na barriga
antes de ir a montanha-russa.
A
adrenalina toma conta do corpo, misturando medo e excitação. Ao final, as
pernas estão bambas, mas a experiência se torna inesquecível. São estímulos
demais para o corpo processar — sons, movimentos, sensações.
Naquele madrugada, porém, não havia diversão alguma. apenas o susto, o inesperado.
O relato de quem viveu o terremoto em Belém
Seu Rodrigues, então com 19 anos, guarda na memória cada detalhe:
Já era madrugada quando eu e minha família estávamos deitados, entregues ao silêncio da noite, quando um barulho estranho começou a subir do fundo da terra. Não vinha do céu, nem da rua — vinha de baixo, como se o chão respirasse.
No primeiro instante, pensei no fim do mundo. O corpo perdeu a referência, e tive a sensação de estar de cabeça para baixo, como se a casa tivesse sido arrancada do lugar.
Na minha rua, o susto ganhou forma: paredes se abriram em rachaduras, um poste de energia ficou torto, e o medo se espalhou mais rápido que qualquer explicação.
As portas se abriram quase ao mesmo tempo, e os vizinhos tomaram a rua, buscando no rosto uns dos outros alguma resposta para o inexplicável.
Só com a chegada da manhã veio a notícia que nos acalmou: havia sido apenas um pequeno tremor de terra. Mas a lembrança não foi pequena.
Eu tinha 19 anos, e naquela madrugada aprendi que até o chão que nos sustenta pode, de repente, nos faltar.
Outro morador, que na época tinha apenas 13 anos, conta que o mais marcante não foi o tremor em si, mas o medo coletivo:
“Acordei assustado com o choro apavorado das pessoas da vizinhança. Todo mundo foi para a rua tentando explicar o que ninguém entendia. Uns diziam que era castigo de Deus, outros achavam que um avião tinha caído, houve até quem falasse em bomba atômica.
O
frisson tomou conta da madrugada inteira, até o dia amanhecer com todo mundo ainda na rua.”
Uma cidade que se une nos momentos difíceis
O tremor passou. A manhã chegou. E Belém seguiu em frente.
Esse episódio, embora breve, revelou algo muito característico da cidade: a união do povo diante do inesperado.
Em vez de portas fechadas, ruas cheias. Em vez de silêncio, conversa, apoio e busca por explicações. Foi o medo sendo enfrentado coletivamente.
Belém é feita de histórias marcates
Celebrar Belém no dia 12 de janeiro é também lembrar dessas histórias que não estão nos livros oficiais, mas vivem na memória de quem as presenciou. Histórias que ajudam a explicar por que Belém é mais do que uma cidade — é um sentimento.
Belém é cheiro de chuva no asfalto quente, é sabor de tacacá, é o som de carimbó, é acolhimento que abraça. É uma cidade que guarda o passado com respeito e constrói o futuro com esperança.
Uma cidade marcada pela memória, pela cultura amazônica e pela força de um povo que construiu, ao longo dos séculos, uma identidade única. Que sua história continue viva em cada rua, em cada tradição e em cada geração que carrega orgulho de ser belenense.
Parabéns, Belém, pelos seus 410 anos de vida, fé e resistência.
Referência
Grupo Nostalgia Belem. Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/belemnostalgia?locale=pt_BR> Acesso em 03 de janeiro de 2026.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário ou sugestão! Sua opinião é muito importante para o fortalecimento deste blog