Um amazônida em peregrinação à Terra Santa
Partir de Belém do Pará, no coração da Amazônia, rumo à Terra Santa, é mais do que realizar uma viagem internacional.
Trata-se de uma experiência de fé, marcada pelo desejo de conhecer, orar e contemplar os lugares onde Jesus Cristo viveu, ensinou, sofreu, morreu e ressuscitou.
A peregrinação até Israel envolve um longo percurso
intercontinental, atravessando o Oceano Atlântico e conectando diferentes países até a chegada ao
Aeroporto Internacional de Tel Aviv - Ben Gurion, principal porta de entrada para a Terra Santa.
A partir da chegada na capital, inicia-se um itinerário que conduz os peregrinos aos principais cenários bíblicos, fundamentais para a compreensão da Sagrada Escritura e da tradição cristã.
Minha jornada teve início no dia 2 de dezembro de 2025, quando deixei minha cidade, Belém do Pará — com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).
No dia 3 de dezembro, ocorreu o encontro com o grupo de peregrinos, um momento marcado pela integração, pela oração e pelos primeiros registros dessa caminhada espiritual.
Em seguida, embarcamos rumo a Madrid, dando início à etapa internacional da viagem. O trajeto aéreo seguiu o percurso São Paulo – Madrid – Tel Aviv, sendo realizado o mesmo itinerário no retorno ao Brasil.
Grupo de viagem da Renova Turismo
Foi a primeira vez que participei de uma excursão, o que gerou
grande expectativa e ansiedade. Durante toda a viagem, contamos com o
acompanhamento de um representante da Renova Turismo, seu nome é César,
responsável pelo suporte ao grupo.
Ao desembarcarmos em Tel Aviv, já nos aguardavam o
guia turístico e o ônibus que nos conduziria ao hotel e aos diversos locais
programados para visitação.
O guia turístico era brasileiro, residente em Israel
há mais de vinte anos, fluente em hebraico e detentor de amplo conhecimento
sobre a história, a cultura e a geografia do país.
Além do domínio do conteúdo histórico, destacou-se
pela simpatia e pela forma leve e animada com que conduzia o grupo,
contribuindo para um clima de integração entre os participantes.
A maior parte do grupo era formada por pessoas da
região Sudeste e Centro-Oeste do Brasil; havia também um participante de Santa
Catarina, e eu representava a Amazônia, o que tornou a experiência ainda mais
rica pela diversidade de origens e vivências.
Como acontecimento especialmente marcante, destaca-se
o fato de esta ter sido a primeira viagem internacional realizada por mim,
incluindo um voo de aproximadamente 18 horas, o que tornou a experiência ainda
mais significativa e inesquecível.
Tudo que foi oferecido no pacote foi
cumprido com muito profissionalismo e atenção. Foram oito dias de passeios cheio
de histórias, em que conhecemos Belém, Nazaré, a cidade de Jerusalém e como
funciona a viagem em grupo organizado.
Hospedagem
O Hotel Leonardo Gordon Beach, em Tel Aviv, foi o primeiro
local onde nos hospedamos e destacou-se pela excelente estrutura e localização
privilegiada.
Situado a frente do Mar Mediterrâneo, o hotel oferece
uma vista marcante, proporcionando uma experiência agradável logo no início da
viagem.
Atrás do hotel havia uma piscina pública e um amplo
calçadão à beira-mar, muito utilizado por moradores e visitantes para
caminhadas e atividades físicas.
Embora nossa permanência na cidade tenha sido breve,
Tel Aviv mostrou-se uma cidade moderna e dinâmica, com diversas opções de lazer
e entretenimento, despertando o desejo de conhecê-la com mais tempo em outra
oportunidade.
Já o David’s Harp Hotel, localizado em Tiberíades,
na região da Galileia, destacou-se pela excelente estrutura e pela
proximidade com a cidade de Cafarnaum.
O hotel conta com um restaurante de ótima qualidade,
quartos amplos, confortáveis e extremamente limpos.
Seu projeto arquitetônico é inspirado na forma de uma
harpa, o que lhe confere identidade e beleza singulares. Permanecemos
hospedados por dois dias, período marcado por conforto e tranquilidade.
Em Jerusalém, ficamos hospedados no The Olive Tree
Hotel, que apresenta um design arquitetônico moderno aliado a uma
ornamentação interna de estilo rústico, criando um ambiente acolhedor e
elegante.
Localizado nas proximidades da Cidade Velha de Jerusalém, o hotel oferece fácil acesso aos principais pontos históricos e
religiosos.
Os quartos são espaçosos e bem decorados,
proporcionando conforto durante a estadia. Ao todo, permanecemos três dias e
meio neste hotel.
Primeiros passos da peregrinação – 1º dia
O roteiro teve início na cidade de Tel Aviv, seguindo para Jaffa, uma das cidades mais antigas do mundo, mencionada em diversos contextos bíblicos e históricos.
Em seguida, visitamos Cesareia Marítima, importante centro romano da Antiguidade, associado ao início da expansão do cristianismo.
O percurso continuou pelo Monte Carmelo, ligado à missão do profeta Elias, e seguiu para Caná da Galileia, local do primeiro milagre de Jesus, quando transformou água em vinho, sinal da nova aliança.
Visitamos ainda Nazaré, onde Jesus viveu sua infância e juventude, encerrando o dia em Tiberíades, às margens do Mar da Galileia.
O Mar da Galileia e os ensinamentos de Jesus – 2º dia
No Mar da Galileia, realizamos um passeio de barco, momento de profunda oração e reflexão, recordando os milagres ali realizados por Jesus, como o caminhar sobre as águas e o acalmar da tempestade.
Visitamos Cafarnaum, cidade onde Jesus morou e realizou inúmeros milagres, e Tabgha, local tradicional da Multiplicação dos Pães e Peixes e do
Primado de Pedro, onde Cristo reafirma a missão pastoral do Apóstolo.
O dia foi concluído no Monte das Bem-Aventuranças, onde Jesus proclamou o Sermão da Montanha.
Deserto, silêncio e conversão – 3º dia
Avistamos o Monte da Tentação, onde Jesus jejuou por quarenta dias, vencendo as tentações pela fidelidade à Palavra de Deus. Passamos pela Figueira de Zaqueu, símbolo do encontro transformador com Cristo.
Visitamos o Mar Morto, conhecido por sua elevada salinidade, e seguimos para Qumran, local da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, documentos de grande importância para a compreensão dos textos bíblicos.
Na área autorizada para o acesso ao Mar Morto, há infraestrutura adequada para os visitantes, incluindo cabines para troca de roupa, chuveiros e lanchonete.
Antes da entrada na água, o guia turístico Nelson nos orientou sobre os cuidados necessários, explicando que a água do Mar Morto possui altíssima concentração de sal.
Caso entre em contato com os olhos, pode causar ardência intensa, e, se atingir a boca, provoca forte sensação de queimação, sendo fundamental redobrar a atenção durante a experiência.
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| Mar Morto |
Jerusalém e Belém: centro da fé cristã - 4º, 5º e 6º dia
Em Jerusalém, visitamos o Monte das Oliveiras, de onde se contempla a Cidade Santa, e o Jardim do Getsêmani, local da oração e entrega de Jesus antes de sua prisão.
No Monte Sião, estivemos no Cenáculo, onde ocorreu a Última Ceia e Pentecostes, e no Túmulo do Rei Davi.
Em Belém, na Igreja da Natividade, recordamos o nascimento de Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne para a salvação da humanidade.
No dia seguinte, visitamos o Muro das Lamentações, local sagrado para o povo judeu, o Monte Moriá, o Tanque de Betesda, a Via Dolorosa, e finalizamos no Gólgota e no Santo Sepulcro, testemunhando o mistério central da fé cristã: a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Atividades realizadas
Durante a viagem, foram realizadas visitas a diversos locais históricos e bíblicos, possibilitando seguir os passos de Jesus e aprofundar o conhecimento sobre os acontecimentos narrados nas Sagradas Escrituras.
O roteiro incluiu também a visita ao Museu Amigos de Sião, espaço dedicado à preservação da memória histórica e religiosa.
Além disso, houve contato direto com a cultura, os costumes e as tradições do povo judeu, contribuindo para uma compreensão mais ampla do contexto histórico, religioso e social da região.
Foto registrada no Jardim do Getsêmani, local sagrado onde Jesus, em profunda oração, pediu ao Pai que, se fosse possível, lhe fosse afastado o cálice do sofrimento e da morte, momentos antes de sua Paixão.
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| Monte das Oliveiras |
Aprendizados, curiosidades e acontecimentos
Para cristãos e judeus, a visita à Terra Santa transforma os relatos bíblicos e históricos, muitas vezes conhecidos apenas de forma teórica, em uma experiência concreta, visual e geográfica, permitindo caminhar pelos mesmos lugares onde viveram importantes personagens da história da fé.
Ao longo da viagem, foi possível ampliar o conhecimento sobre a cultura do povo judeu, incluindo aspectos do cotidiano, como o uso da moeda local (shekel) e a conversão entre o real, o dólar e a moeda israelense.
Entre as curiosidades observadas, destaca-se a participação das mulheres no serviço militar em Israel, com período médio de serviço de aproximadamente dois anos.
Também se evidenciou a importância dos rigorosos protocolos de segurança, que fazem parte da rotina da região e possibilitam a continuidade da vida cotidiana em um território marcado por conflitos históricos.
Essa realidade pôde ser percebida, por exemplo, durante a visita à cidade de Belém, local do nascimento de Jesus Cristo, onde se encontra a Igreja da Natividade.
Por estar situada em território palestino, na Cisjordânia, o acesso à cidade requer a passagem por um controle de fronteira, sendo necessária a apresentação do passaporte.
Outro aspecto que merece destaque é o papel histórico da Igreja Católica na preservação de grande parte dos locais religiosos visitados.
Ao longo dos séculos, muitos desses espaços foram guardados, restaurados e protegidos sob sua responsabilidade.
Na percepção construída durante a peregrinação, essa atuação foi fundamental para que esses lugares sagrados não se perdessem ao longo da história, permitindo que ainda hoje possam ser visitados, contemplados e reconhecidos como patrimônios da fé cristã e da memória da humanidade.
Uma peregrinação que fortalece a fé
Esta peregrinação à Terra Santa foi profundamente enriquecedora nos âmbitos espiritual, cultural e humano.
Caminhar pelos lugares onde Jesus viveu e realizou sua missão permitiu aprofundar a compreensão da Sagrada Escritura, fortalecer a fé e renovar o compromisso cristão.
Mais do que uma viagem, a peregrinação constituiu-se como uma verdadeira experiência de encontro com Deus, deixando marcas duradouras na vida espiritual e na caminhada de fé, tornando essa viagem um marco importante e transformador.
Curiosidade sobre Israel
Israel é um país de pequenas dimensões territoriais, com aproximadamente 20.700 km², mas de enorme relevância religiosa, histórica e cultural.
Sua geografia é marcada por grande diversidade, reunindo desertos, montanhas, planícies férteis, praias e o Mar Morto, ponto mais baixo da superfície terrestre.
Localizado no continente asiático, o país faz fronteira com Jordânia, Síria, Palestina, Líbano e Egito, sendo banhado pelo Mar Mediterrâneo e pelo Mar Morto.
Cada região guarda memórias fundamentais da história do povo de Deus, conforme relatadas nas Sagradas Escrituras.
A história do território se confunde com a história das religiões, já que Jerusalém é considerada sagrada por judeus, muçulmanos e cristãos.
Justamente por isso, é uma história milenar marcada por muitos conflitos, que continuam tendo novos desdobramentos a cada dia.
Apesar de ser uma região conhecida por seus mais de dois mil anos de disputas territorial e demanda de reconhecimento dos diversos grupos, o Estado de Israel é bem recente. Sua consolidação aconteceu apenas em 1948, há pouco mais de 70 anos.
By Márcio Carrera Costa
Muito feliz pelo senhor professor o seu sonho realizado é o sonho de muitos cristãos, parabéns
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